Santo André e Diadema quebram no primeiro semestre
ciclo
de redução sistemática de mortes violentas no Grande ABC
MAURICIO MILANI

Homicídio na região: reversão da sequência
positiva dos últimos semestres
O Grande ABC traçou rota oposta à do Estado na incidência de homicídios no primeiro semestre. Enquanto as sete cidades tiveram alta média de 16,77% nas ocorrências entre janeiro e junho na comparação com igual período de 2007, o número de assassinatos caiu 13% no Estado. A elevação de casos apontada pela região reverte tendência de diminuição registrada no ano passado, quando as mortes violentas apresentaram redução de 10,56% em relação a 2006. O pior resultado do primeiro semestre coube a Santo André, com alta de 100% em homicídios dolosos, ou seja, com intenção de matar. Os dados são da Secretaria da Segurança Pública do Estado.
A soma de assassinatos no Grande ABC mostra 188 ocorrências no primeiro semestre de 2008, diante de 161 no ano passado. Os 30 casos de Santo André no ano passado passaram a 60 neste ano, percentual de elevação inédito na cidade. O Município mais populoso da região está no extremo oposto e responde pelo resultado mais positivo das estatísticas da Secretaria de Segurança Pública: São Bernardo manteve a descendente em média próxima à do ano passado e de janeiro a junho teve -12,5% casos de mortes violentas. Os 40 casos caíram para 35. Mauá totalizou corte percentual semelhante ao de São Bernardo, de -11,77%, resultado de menos quatro mortes violentas — de 34 para 30.
Assim como Santo André, os totais de Diadema não são animadores. Os 40 homicídios da primeira metade do ano passado subiram para 46 no mesmo intervalo de tempo deste ano. São Caetano também mostra alta, mas insignificante diante dos números absolutos: 50% a mais de casos no menor e mais rico Município do Grande ABC perdem força quando se leva em conta que o percentual é resultado de elevação de dois para três assassinatos.
Da mesma forma, a queda de 40% de ocorrências de homicídios em Rio Grande da Serra deve ser relativizada diante do total de casos, de cinco no ano passado para três neste ano. A alta de 10% em Ribeirão Pires se encaixa em igual contextualização. Foram 10 assassinatos no primeiro semestre de 2007 e 11 em igual período deste ano.
Os números de Santo André no primeiro semestre chamam atenção quando confrontados com o levantamento da Secretaria de Segurança Pública do ano passado que mostra a taxa de homicídios por 100 mil habitantes. Santo André ocupava a quinta posição entre as sete cidades da região nesse quesito em 2007, com 10,20 casos por 100 mil moradores. O ranking colocava Diadema no topo, com 20,55 homicídios por 100 mil, seguida de Mauá (19,42), Ribeirão Pires (11,75), São Bernardo (10,85) e São Caetano (1,46). A secretaria não divulga a taxa de Rio Grande da Serra porque o pequeno número de eventos prejudica o dimensionamento do fenômeno.
Em roubos e furtos de veículos, destaque para São Caetano, com redução de 19,36% nas ocorrências. Esse tipo de crime é histórico calcanhar-de-aquiles na criminalidade do Município. Também houve diminuição em Mauá (-17,72%), Ribeirão Pires (-12,5%) e Rio Grande da Serra (-42,86%). Neste caso, o percentual alto de corte torna-se relativo diante do total de casos, de sete no ano passado para quatro neste ano. Já Santo André, Diadema e São Bernardo tiveram mais furtos e roubos de veículos, mas com pequenas altas, respectivamente de 0,86%, 3,03% e 3,50%.
As estatísticas de roubos e furtos gerais mostram alta em cinco municípios do Grande ABC. Ribeirão Pires puxa os números, com elevação de 21,29% na incidência de casos — a soma passou de 681 para 826. Em São Caetano o aumento foi de 18,07%, de 1.339 roubos e furtos para 1.581. São Bernardo apresentou mais 15,68% de ocorrências, de 6.765 para 7.826, percentual próximo ao de Diadema, com 14,63%. Percentuais insignificantes em Mauá (2,18%) e Santo André (0,05%) completam o quadro de altas. A única baixa coube a Rio Grande: foram 169 roubos e furtos entre janeiro e junho de 2007 e 147 no primeiro semestre deste ano, ou -13,02%.
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